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Publicações...

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resenha
Entre o mapa e o território: como se constitui o ficcional? | O chão da mente - a pergunta pela ficção, de Luiz Costa Lima

Subjaz a toda essa discussão a arguta estrutura de O chão da mente, que centraliza a questão do sujeito como pano de fundo do surgimento da problematização do ficcional. 

Uma vez que o controle implica “adaptar o ficcional ao horizonte de crenças e valores sociais, com o respeito aos critérios de utilidade e virtude” (p. 302), a passagem do autocentramento à fragmentação do sujeito possibilita produzir ficção justamente no hiato surgido sobre o chão da mente. - São Carlos (SP), 16 de agosto de 2021
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artigo
Da crise da representação à reconsideração da mímesis: refrações da ditadura militar em Zero e A festa​

Quando publicados, Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, publicado em 1975, e A festa de Ivan Ângelo, publicado em 1976, foram obras de grande repercussão, figurando entre as listas de romances mais vendidos, em razão da temática e da forma.

Ficaram conhecidos como romances “da ditadura militar”, o que acabou travando uma ligação direta entre texto e contexto de que emergiram. Sempre fora cara a relação entre “literatura”, “realidade”, “verdade”, “sujeito”, “mímesis” e “ficção”. Esse relacionamento se transformou, ao longo do tempo, dentro de um paradigma do pensamento ocidental – que foi se consolidando, com variações – essencialmente metafísico ou substancialista e que entra em crise na virada para o século XX. Aqui tomamos por hipótese que Zero e A festa, antes de serem romances “da ditadura militar brasileira de 1964”, são legatários de tal crise do final do século XIX. Isso significa que ambos possuem outra relação, indireta, com o real que evocam. Propomos essa hipótese por meio da contextualização dos conceitos de “Crise da Representação” (PELLEGRINI, 2007; 2009) e de Reconsideração da mímesis (LIMA, 2014). Zero e A festa são romances emersos da conjuntura ditatorial e possuem sua forma intensificada por ela, mas de origem anterior.
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dissertação
O real como poliedro: a mímesis em Zero e A festa​

Desde a publicação de Zero (1975, Ignácio de Loyola Brandão) e A festa (1976, Ivan Ângelo), a crítica sobre tais obras, de maneira geral, as analisou como romances experimentais, justificando sua forma em razão do contexto de que emergiram: a ditadura militar brasileira.

Ou seja, diz, em suma, de seu aspecto fragmentário e da multiplicidade de pontos de vista que encerram como consequência direta (do caos) da conjuntura que retratam. Com o objetivo, porém, de iluminar outro ponto de discussão sobre a relação desses romances com o real que evocam, pela revisão da monofonia da crítica, o presente trabalho, considerando o período um intensificador de sua elaboração estética, toma por hipótese que sua forma é, antes, legatária da crise da representação realista do século XIX. Assim, somando as teorias de Brandão (2005), Bakhtin (2010) e Luiz Costa Lima (2009), temos em conta que o romance é um gênero constituído pelo contato com outros gêneros textuais ou discursivos e proteiforme, que centraliza a questão da mímesis e, por conseguinte, da ficção. Sendo assim, dado seu caráter metamórfico, o gênero transformou-se ao longo do tempo, até o século XIX, dentro de um paradigma – que foi se consolidando, com variações – do pensamento ocidental essencialmente metafísico ou substancialista que entra em crise na virada para o século XX, atualizando o modo de se compreender as relações entre sujeito-realidade-verdade. Essa atualização, com base em Pellegrini (2007;2009) e Costa Lima (2003;2014), em termos literários, culminou na “crise da representação” e na “reconsideração da mímesis”, resultando na recompreensão das categorias literárias, especialmente narrativas, como consequência das novas concepções de sujeito, fraturado, catalisador e prisma de um real, poliédrico, subjetivamente construído a partir do modo como cada indivíduo (por meio de sua história) o apreende, cujo tempo é disruptivo e o espaço heterogêneo, desordenado. Materialmente, disso decorre uma estética refratada, um conjunto de técnicas estético-representacionais em consonância com a ideia de pluralidade das faces e versões do real e proporcionais à diversidade de modos de apreendê-lo. Zero e A festa, portanto, romances emersos da conjuntura ditatorial, tem sua forma (ausente de centro e de centro ausente, respectivamente) intensificada por ela, mas de origem anterior, que remonta às mudanças levadas à literatura, à narrativa em especial, pela consciência crítico-problemática acerca da relatividade de conceitos como real, verdade, sujeito e representação.
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artigo
Mímesis e realismo no romance contemporâneo: uma leitura de Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

Este trabalho problematiza a construção romanesca de Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato (2001), evidenciando que esse texto recicla, enciclopedicamente, as tendências ficcionais...

posteriores à crise representacional do final do século XIX e, portanto, a tradição romanesca subsequente, por meio da materialização da consciência narrativa a respeito da relatividade da mímesis do real. Assim, a partir do questionamento, da representação e da forma romanesca, transcorridos desde a virada para o século XX pelos estudos sobre as limitações e (im)possibilidades da mímesis do real (PELLEGRINI, 2007; 2009; LIMA, 2014; ISER, 2013), o livro de Ruffato será lido como uma solução especial para a problemática da exaustão das formas da ficção.
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O realismo reciclado em Eles eram muitos cavalos

Capítulo do livro A crítica literária contemporânea, da Editora Viva Voz (FALE/UFMG). Um artigo que defende Eles eram muitos cavalos como um romance que não é imitação, interpretação, retrato, reflexo direto da ...

capítulo de
livro
cidade e das pessoas que a viveram em 09 de maio, mas estabelece outra relação com o real, por meio da experiência estética de uma espécie de “paideuma” da tradição romanesco-formal (que remonta à consciência adquirida após a crise da representação realista do final do século XIX sobre a relatividade da mímesis do real), mediada por nossa história/ cultura e vice-versa. História e cultura medeiam formas e temas, assim como estes medeiam aqueles. Mediações que possibilitam o efeito representacional propiciador do fenômeno mimético. A obra, portanto, recicla enciclopedicamente técnicas estético-representacionais que remontam à propalada crise ecoando as tendências do gênero romance, desde o realismo e as ondas ficcionais posteriores à tal crise, remetendo a toda uma tradição romanesca subsequente à consciência narrativa da relatividade do efeito representacional, sugerindo algumas de nossas faces sócio-histórico-culturais contemporâneas.
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artigo
A representação das classes populares em Zero: questões de legitimidade, autoridade e alteridade na literatura marginal

O termo “Literatura Marginal”, surge em meados das décadas de 60/70 com um grupo de escritores à margem/fora do cânone e, por isso, à margem/fora...

 do sistema de produção, circulação e distribuição das editoras. Já nesse período havia ainda outros escritores marginais, assim chamados porque representavam, em suas obras, as classes pobres. Esses últimos escritores, embora denunciassem em seus textos a situação do pobre naquele período da ditadura militar, não eram, eles próprios, integrantes dessa parcela da sociedade. Desde há muito, aliás, diversos autores, não pertencentes às classes mais pobres, escreveram uma literatura que denunciasse essa realidade. O descompasso, o de uma literatura escrita por autores que não eram oriundos do grupo sobre o qual escreviam, é o problema redefinidor da Literatura Marginal hoje, o que se dá sob a problemática da alteridade, fortemente discutida pela crítica atualmente, na qual estão imbricadas questões de legitimidade da representação e autoridade do escritor. No entanto, essa mudança não tira ou diminui o valor da literatura dos primeiros marginais, dado que o texto literário se constitui a partir de seu efeito mimético-representacional, o qual sempre será relativo, dando apenas uma ou algumas versões do real representado: é o que se verá a partir da análise de Zero.
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artigo
Um ensaio da ficção ruffatiana

Luiz Ruffato, muito antes de lograr reconhecimento como autor de ficção, publicou algumas obras literárias. Uma delas, o conto “Olívia”, que figura na coletânea Marginais do Pomba, contém elementos da técnica estético-representacional que viria a ser empregada pelo autor em todo o seu projeto...

que figura na coletânea Marginais do Pomba, contém elementos da técnica estético-representacional que viria a ser empregada pelo autor em todo o seu projeto literário, em especial no romance Eles eram muitos cavalos, que pode ser considerado, ao menos até o momento, uma síntese desse projeto.
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artigo
Aspectos da representação do real no romance contemporâneo

O romance, por excelência o gênero narrativo da modernidade, desde sua ascensão a partir do século XVIII, centraliza representação literária do real. Mas é só com a problematização dos modos dessa representação predominantes no século XIX...

que se passa a constituir um modo moderno de representar o real. Da tentativa crítica de compreender as formas de articulação entre realidade e ficção, sendo essa articulação posta em xeque na própria forma do romance, resulta a configuração atual do gênero. Nesse caminho, tornamse obsoletos o tempo cronológico, no qual os fatos são encadeados numa relação de causa e efeito, e o espaço estático e imutável da narrativa tradicional. A consciência moderna do real implica perceber que ele não se reduz à aparência perceptível pelos sentidos e à causalidade linear suposta pelos autores que antecederam a crise da representação do final do século XIX. O mundo moderno/contemporâneo compõe-se de uma multiplicidade de planos do real que relativiza as noções de tempo e espaço, de modo que a representação ocorre de maneira caleidoscópica e fragmentária, a partir de percepções pluralizadas e multiformes do real.
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